Blog de um algarvio, nascido e criado em Olhão, orgulhoso da sua terra, adepto fervoroso do S.C.Olhanense, licenciado em Biologia pela Universidade do Algarve, e mestre em Biologia da Conservação pela Universidade de Évora.
publicado por Ventura | Segunda-feira, 21 Abril , 2008, 20:14
O mar profundo da Antárctida está a arrefecer, o que pode estar a estimular a circulação das massas de água oceânicas. Esta é a primeira conclusão da expedição a bordo do "Polarstern", uma iniciativa do Instituto alemão Alfred Wegener para a Investigação Polar e Marinha que terminou na semana passada em Punta Arenas, no Chile. Segundo os investigadores, as imagens de satélite recolhidas durante o Verão antárctico revelam a maior extensão de gelo marinho alguma vez registada.

O objectivo da expedição Polarstern ANT-XXIV/3 era investigar a circulação oceânica e estudar os ciclos oceânicos de materiais que estão dependentes dela. Os principais projectos a bordo eram o CASO (Climate of Antarctica and the Southern Ocean) e o GEOTRACES, parte do programa oficial do Ano Internacional Polar para o Antárctico.

Sob a direcção de Eberhard Fahrbach, oceanógrafo no Instituto Alfred Wegener, 58 cientistas de dez países estiveram a bordo do navio de investigação PolarStern, entre 6 de Fevereiro e 16 de Abril. Estudaram as correntes oceânicas, a distribuição de temperatura, os níveis de sal e fizeram análises das substâncias na água do mar antárctico.

"Queríamos investigar o papel do oceano austral no clima do passado, presente e futuro", disse Fahrbach. Segundo o responsável, o afundamento das massas de água no oceano antárctico está relacionada com as alterações da região, tendo por isso um papel determinante no clima global.

"Enquanto o último Verão árctico foi o mais quente registado, tivemos um Verão frio, com o gelo marinho a atingir o máximo alguma vez registado no Antárctico. Esta expedição deve dar-nos as bases para compreender os desenvolvimentos opostos que estão a ocorrer nos dois pólos", salientou Fahrbach.

No âmbito do projecto GEOTRACES, a equipa verificou a diminuição da concentração de ferro, tendo medido a quantidade mais pequena alguma vez detectada no oceano. Segundo os investigadores, como o ferro é um elemento vital para o crescimento das algas, que assimilam CO2 do ar, esta diminuição da concentração de ferro pode servir de argumento contrário à posição que acredita que a extensão dos oceanos aumenta o sequestro de dióxido de carbono.

De acordo com os responsáveis, como as alterações oceânicas só se tornam visíveis após vários anos e diferem espacialmente, os dados recolhidos durante a expedição não serão suficientes para determinar consequências e desenvolvimentos a longo prazo.

Segundo os cientistas, as lacunas de informação só podem ser preenchidas com a ajuda de sistemas de observação autónomos, colocados no fundo do oceano ou à deriva, capazes de recolher sistematicamente informação ao longo dos anos.

"Para contribuir para o Sistema de Observação do Oceano Austral ancorámos, no âmbito de uma cooperação internacional, 18 estações de observação e restaurámos outras 20. Com 65 sistemas flutuantes, capazes de recolher informações debaixo do gelo e com uma duração de vida até cinco anos, construímos uma rede de medição única e abrangente", salientou Fahrbach.

Para chamar a atenção do público, em particular da geração mais nova, interessada em ciência e sensível aos processos ambientais, estiveram a bordo do navio duas professoras alemãs. "Trazemos para casa muitas impressões desta expedição e vamos ser capazes de passar uma imagem mais real das regiões polares e do seu impacto na Terra quando falarmos com os nossos alunos", disse Charlotte Lohse, uma das contempladas com a participação na expedição.
(fonte)

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