Os morcegos recorrem às mesmas técnicas aerodinâmicas que os insectos, para se manterem no ar quando efectuam voos lentos ou estacionários, segundo um estudo hoje publicado nos
Estados Unidos. Quando estes mamíferos batem as suas asas inteiramente abertas e inclinadas para baixo, estas produzem um movimento do ar, idêntico ao de um pequeno turbilhão, que dá um impulso ascensional.
Os insectos produzem permanentemente estes turbilhões com as suas asas quando voam. No entanto, os cientistas perguntaram-se se o mesmo mecanismo podia ser utilizado por animais mais pesados, como os morcegos.
Para tal, os investigadores norte-americanos e suecos estudaram três morcegos (
Glossophaga soricina) que medem
cinco centímetros de comprimento. Os investigadores conseguiram medir o escoamento do ar à volta das asas destes animais em voo graças a imagens digitais de partículas de neblina artificial, criada num pequeno sistema de ventilação onde foram instaladas pequenas manjedouras.
Os cientistas puderam assim medir que o turbilhão de ar criado sob as extremidades das asas produz 40 por cento da força ascensional que permite que os morcegos se mantenham no ar. Estes morcegos têm uma capacidade de voo dez vezes mais elevada do que a normal, e comparável à dos colibris, da família
Trochilidae. Alimentam-se de néctar e de pólen durante a época seca, e de insectos e de frutos durante a época das chuvas. O estudo surge na revista
Science de hoje.
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