Local: Rua do Comércio em Olhão.
Hora: 20:36h.
Estado das lojas dos portugueses: fechadas.
Estados das lojas dos chineses: abertas e com clientes lá dentro.
O vendedor português ("A" para simplificar a escrita) cumpre o horário de trabalho estipulado. Normalmente das 9h às 13h e das 15h às 19h.
O comprador português (neste caso "B" para simplificar) também desempenha o seu horário de trabalho. Quando A fecha a loja, B está na sua hora de sair. O vendedor chinês (neste caso o "C". Que coincidência hein? Chinês... letra c... ehehehe... er... continuando...) não tem hora para fechar.
Se B necessita de comprar alguma coisa (nesta altura do ano todos necessitam), dirige-se à Rua do Comércio e o que é que apanha aberto? Isso mesmo! O C aberto! E onde compra o que necessita? No C.
E depois vem o A brandar aos sete ventos: "Ah e tal! O negócio está mal! A culpa é dos chineses!".
Inicialmente poderia dizer-se que tinham razão. Produtos ao preço da uva mijona não davam hipótese ao mero A de competir. Actualmente sabe-se que o baixo preço dos produtos reflecte, na grande maioria dos casos, a qualidade dos mesmos.
Então sabendo A que B sai à hora do fecho da sua loja, A na sua grandiosa esperteza poderia pensar assim: "A minha loja das 15h às 17h está practicamente às moscas. Se B sai às 19h, eu em vez de abrir às 15h e fechar às 19h, poderia abrir uma hora mais tarde, fechava uma hora mais tarde, e assim dava hipótese de B poder se deslocar à minha loja durante uma hora". Claro que A não necessitava de estar aberto muito mais do que as 21h porque após essa hora, o vazio domina as ruas de Olhão.
Mas não. O negócio vai mal, não se adaptam às condições actuais do mercado, e continuam a fazer a mesma rotina que fazem desde que abriu a sua loja. E depois queixam-se. Bah...