Blog de um algarvio, nascido e criado em Olhão, orgulhoso da sua terra, adepto fervoroso do S.C.Olhanense, licenciado em Biologia pela Universidade do Algarve, e mestre em Biologia da Conservação pela Universidade de Évora.
publicado por Ventura | Terça-feira, 10 Julho , 2007, 11:50
Venho agora responder à pergunta que fiz no dia 7 de Junho...
Quem é este senhor?

Este senhor chama-se Fernando Pereira, emigrante naturalizado holandês, natural de Chaves onde nasceu a 10 de Maio de 1950. Emigrou para a Holanda para fugir à Guerra Colonial, e lá pôde desenvolver uma das suas actividades favoritas – a fotografia. Tudo bem...o nome, a idade e a sua naturalidade não esclarecem muito, mas, para ser mais explícito, este senhor é considerado um dos maiores mártires do activismo ecologista mundial.

Fernando Pereira era um fotógrafo freelancer, que encontrou a morte ás 23:50h do dia 10 de Julho de 1985 (faz hoje 22 anos desde a sua morte) a bordo do Rainbow Warrior (Guerreiro do Arco-Íris). Fernando juntou-se á tripulação do Rainbow Warrior, capitaneado por Peter Willcox, no Havai, contratado para uma expedição de seis meses que deveria levá-lo das Ilhas Marshall no Pacífico Norte, para a Moruroa, no Pacífico Sul. A viagem tinha como objectivo desmascarar os E.U.A. e a França em relação aos testes nucleares realizados no Pacífico.
 
No dia 10 de Julho de 1985, faltavam dez minutos para a meia-noite(11:50h na hora portuguesa), estava Fernando e o resto da tripulação a bordo do Rainbow Warrior, atracado no porto de Auckland, Nova Zelândia, quando duas bombas, colocadas por agentes dos Serviços Secretos franceses (DGSE) – a mando do presidente François Mitterrand – explodiram, com um pequeno intervalo entre elas, afundando o navio. À primeira explosão, os ambientalistas, que se preparavam para a manifestação contra os testes nucleares, abandonaram o barco. Fernando terá ficado inconsciente quando, ao tentar salvar as suas máquinas fotográficas, a segunda bomba explodiu. Morreu com o navio, deixando a mulher e dois filhos, Marelle e Paul.
Inicialmente a França, aliada da Nova Zelândia, negou qualquer tipo de envolvimento, entrando em actos de solidariedade contra “actos terroristas”. Mas dois dos agentes que perpectuaram este acto terrorista, Alain Mafart e Dominique Prieur, acabaram por ser presos pela polícia da Nova Zelândia após os actos, obrigando o primeiro-ministro francês Laurent Fabius, dias mais tarde, a admitir que as bombas foram colocadas pela França. Os dois agentes foram condenados a uma pena de dez anos, por homicídio involuntário devido ao seu papel na sabotagem, ordenada pelos serviços secretos franceses. Três anos mais tarde foram extraditados para França, onde acabaram por ser libertados. 

Antes do assassinato de Fernando Pereira, os activistas ambientais eram considerados, apenas, um bando de radicais com muito tempo livre. Com a destruição do Rainbow Warrior e a morte de Fernando, a sociedade passou a olhar para os activistas como um grupo de heróis, dispostos a arriscar a vida por uma boa causa.
     
Rainbow Warrior era um navio da Greenpeace, com 43,92 metros de comprimento e 8,42 de largura. O nome deste navio provém do livro de William Willoya e Vinson Brown “Warriors of the Rainbow” (1962). O seu nome original era Sir William Hardy, e foi o primeiro barco eléctrico/diesel, construído no Reino Unido em 1955. Acabou por ser comprado pela Greenpeace em 1977 em muito mau estado e remodelado com a ajuda do WWF (Worldwide Fund for Nature). Após três meses de remodelação e com a ajuda de muitos voluntários, a Greenpeace utilizou-o, inicialmente, para perseguir navios baleeiros islandeses e protestar contra a caça às baleias no Oceano Atlântico Norte. Após a tragédia, em 1987, a Greenpeace comprou um novo barco, o “Grampian Fame”, e trocou o seu nome para Rainbow Warrior. Este novo barco foi lançado para o mar, a 10 de Julho de 1989, após dois anos de reparos. Durante vários anos, o novo barco foi usado para protestar contra os testes nucleares franceses no Pacífico, acabando este por ser invadido pela marinha francesa a 1 de Setembro de 1995. Ficou em muito mau estado, sendo solto somente em Março de 1996. Desde 13 de Junho de 2007, a embarcação está detida no porto de Valência, após os seus activistas realizarem uma manifestação pacífica contra a importação de madeira ilegal proveniente dos Camarões.
  
A Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente instituiu em 1999, conjuntamente com o associado Observatório do Ambiente, o Prémio Nacional de Ambiente "Fernando Pereira". O prémio destina-se a galardoar a pessoa, instituição ou empresa que em cada ano se distinga na sua acção como "amiga do ambiente".
 

"There will come a time when the Earth grows sick and when it does a tribe will gather from all the cultures of the World who believe in deed and not words. They will work to heal it...they will be known as the Warriors of the Rainbow." - profecia do livro "Warriors of the Rainbow" que inspirou muitos activistas e que também inspirou o nome da embarcação.
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Daniela a 14 de Julho de 2007 às 16:52
pois...realmente estava relacionado com o ambiente!
Um grande homem sem duvida!

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